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Complexidade

Mitos Hebráicos

Pessoal,

(versão deste texto disponível em audio)

Uma vez que esta é a primeira coluna escrita em 2008, as anteriores foram criadas antes das férias, inicio com um breve apanhado dos mitos hebraicos, sumamente interessantes e simbólicos para entender um pouco mais sobre a civilização hebraica ou judaica.

Este ano vou escrever muito sobre mitos, das várias civilizações e também traçar alguns paralelos com a psicologia relacionada.

Abaixo temos alguns dos mitos, condensados, devido ao espaço reduzido.

Boa leitura!

PODER DO MÁGICO
O método utilizado por Jacob para que os cordeiros nascessem com pintas foi (segundo os estudiosos da mitologia e do esoterismo) o adscrito à magia conhecida com o nome de “homeopática”, que se baseia na chamada lei de semelhanças: “o semelhante produz o semelhante”.

Segundo este princípio imitativo, o mago podia produzir qualquer efeito, com a simples condição de imitá-lo: “os efeitos assemelham-se às suas causas”.

Toda a natureza, e os objetos que esta contém,são suscetíveis de manipulação por meio da magia “homeopática”ou “imitativa”. E também no momento de curar e prevenir doenças, se recorreu ao remédio da magia.

Esta forma de encantamento foi levada a cabo ao longo da história pela maioria dos povos de cultura e civilização ancestrais. O relato do Antigo Testamento é muito esclarecedor a esse respeito: “Então Jacob procurou umas varas verdes de álamo, de amêndoa e plátano e lavrou nelas umas moscas brancas, deixando ao descoberto o branco das varas, e fincou as varas assim lavradas nas pias ou bebedouros aonde vinham as reses a beber, justamente diante das reses, com o qual estas se aqueciam ao aproximarem-se para beber. Ou seja que se aqueciam à vista das varas, e assim pariam crias listradas, pintas ou manchadas.”

A verdade é que, com semelhante método, em breve reuniu Jacob um rebanho muito superior ao do seu tio e sogro: “Jacob medrou muitíssimo, e chegou a ter rebanhos numerosos, e servas e servos e camelos e asnos.”

MITO DA CRIAÇÃO
Além de Jeová, também existia o nome de Elohim para referir-se à única deidade, e os livros sagrados colhem estas designações nos relatos da criação; “No dia em que Jeová Elohim criou a terra e os céus, nenhum arbusto havia ainda sobre a terra, nenhuma erva tinha germinado ainda, porque Jeová Elohim não tinha feito ainda que sobre a terra chovesse e nem havia homens que cultivassem o chão. Mas uma nuvem levantou-se da terra e regou o chão. E Jeová Elohim formou o homem com o pó do chão e soprou-lhe no nariz a respiração da vida”.

Antes de encontrar com Jeová, os hebreus tinham outras deidades menores e mais fracas. Adoravam os gênios ou espíritos de certos fetiches, entre os quais se encontram os denominados “terafim”; estes eram pequenos ídolos que podiam transportar-se e que presidiam o interior das tendas das diversas tribos. O próprio rei David levava-os consigo nas suas digressões e, quando se encontrava em perigo, permitia que os adivinhos e magos os invocassem para obter a sua ajuda. O mesmo termo “Elohim” significa “os deuses” (em plural, o que indica que veneravam vários deuses e que, portanto, não eram ainda monoteístas). No entanto, Yahveh é um deus ciumento e não quer outros deuses fora ele. É, além disso, “o deus dos exércitos e exige obediência cega e submissão plena. Era-lhe erigido culto e, em sua honra, se sacrificavam animais dos rebanhos e se supunha que na comida de comunhão o próprio Yahveh tomava parte. Era-lhe reservado o sangue dos animais que aos mortais se proibia.”

ARCA DA ALIANÇA

David, antes de mais, foi reconhecido como o rei da unificação pois preconizou a união entre Judéia e Israel. Alistou, além disso, mercenários e conseguiu, assim, conquistar muitas das cidades-estado dos povos cananeus limítrofes, com o qual viu consideravelmente ampliados os seus territórios originais.

Para transportar o Arca da Aliança que continha as “Tabelas de pedra”, com a lei de Yahveh gravada nelas para Jerusalém contrataram-se os serviços da carreta de Uzzá, que conduziu os bois durante o trajeto até que, por ter tentado segurar a Arca -que ia dando saltos por causa do mau estado do caminho- para não cair, foi ferido como por magia por um raio de Yahveh. E é que a Arca só podia ser tocada por famílias privilegiadas e por sacerdotes. Mas, à raiz do incidente relatado, até o próprio David temeu a ira de Yahveh e, para implorar a clemência do airado deus, ordenou que cada certo trecho se fizesse um alto no caminho, se depositasse a Arca em terra e se sacrificasse, em honra de Yahveh, “um boi e um carneiro alimentado”.

Depois de David, governa Israel um rei sábio e compreensivo para com os seus súditos: trata-se do seu filho Salomão. Este, embora fosse um bom diplomata, não tinha, em compensação, os dotes guerreiros do pai e, pelo mesmo motivo, “não pôde evitar a perda de territórios como o dos edomitas, provenientes da estirpe de Edom, que tinha sobrevivido à matança levada a cabo pelo chefe do exército de David e cujo representante, Hadad, tinha conseguido fugir: este refugiou-se com alguns homens edomitas no Egito e foi protegido pelo Faraó de forma especial, até o ponto que lhe deu por mulher uma das suas irmãs. Hadad foi adversário de Israel durante todo o reinado de Salomão.”

E por enquanto é só, até a próxima e espero que encontrem o que procuram nos livros.

Saudações,
N.E.I.

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