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INVIOLÁVEL

Ali, todo oferecido, o buraco de fechadura a se devassar a quem se dispusesse. Mais que suspeitos, os ruídos lá de dentro entregavam a indecência que nenhum dos dois (seriam só dois?) se preocupava em abafar. O certo é que por aquela fresta ninguém veria nem borboletas voando nem fiéis em novena, mas quem do lado de cá para o gesto condenável, para curvar a espinha e confirmar que não eram mesmo nem novenas, nem borboletas?

À porta, juntava gente. Curioso, alguém desce à recepção e confere a lista de hóspedes. Ninguém naquele quarto. Já agora os uivos do sexo bruto são gritos de guerra civil. Crianças que vomitam ao cuspe das metralhadoras. No 306B, com suíte, sacada e vista para a praça, se encerra o mundo de quem não se tem ideia. E a guerra de há pouco vira algo próximo de pregão da Bolsa, depois de programa e auditório, em seguida de previsão do tempo e enfim de coral de igreja.

- Arrombemos, arrombemos – dizem os alguéns vários em uníssono.

Lá dentro, a TV ligada e um cão. Com o controle remoto na boca.

© Direitos Reservados

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Debata

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